Associação recomenda que funerárias suspendam férias e adota plano de emergência para lidar com alta de mortes por Covid no país

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A Associação Brasileira de Empresas e Diretores do Setor Funerário (ABREDIF) emitiu uma recomendação às funerárias de todo o país para que elas suspendam as férias de seus funcionários e que realizem outras medidas emergenciais diante do aumento de mortes pela Covid-19.

Lourival Panhozzi, que é presidente da associação que fica em Botucatu (SP), contou ao G1 que o plano foi adotado por causa do agravamento da situação da pandemia no Brasil. Nesta quarta-feira (17), o estado de São Paulo registrou média móvel diária de 421 mortes pela Covid-19, um novo recorde desde o início da epidemia.

O Brasil também registrou novo recorde com 2.798 mortes pela Covid-19 na terça-feira (16), totalizando 282.400 óbitos. Com isso, a média móvel de mortes no país nos últimos 7 dias chegou a 1.976, também um novo recorde.

“No mês de março, a situação se agravou em São Paulo. Os picos que eram esperados para o final do mês já foram ultrapassados agora em meados do mês. Isso nos preocupou muito, então nós soltamos um alerta geral para as funerárias para que elas estabeleçam um plano de contingência caso a situação se agrave ainda mais”, explica Panhozzi.

Entre as medidas recomendadas, a associação pediu para que as funerárias não dessem férias aos funcionários pelos próximos 60 dias e que as empresas mantenham um estoque dos materiais para sepultamento três vezes maior do que o necessário para o atendimento em um mês comum.

Além disso, a associação pediu que seja feito um levantamento da capacidade de todos os cemitérios das cidades, para que haja um planejamento caso as unidades ultrapassem a capacidade de sepultamento.

“Queremos evitar ao máximo esses congestionamentos na porta do cemitério, enterros em valas comuns, então precisamos de uma programação. Temos que ter um plano B caso ultrapasse a capacidade. É muito melhor você levar um corpo para sepultar em outra cidade do que sepultá-lo em uma vala comum porque mistura tudo praticamente ali e fica muito difícil você saber quem é quem lá na frente.”

Ainda de acordo com o presidente, é necessário ter um planejamento para levar os corpos até o cemitério e as autoridades precisam conversar mais com o setor funerário para que haja sincronia das normas estabelecidas com a realidade do país.

Segundo Panhozzi, a associação não tem poder de polícia, mas de convencimento, e acredita que a maior parte das empresas vão seguir as recomendações.

“O corpo tem que ir para o cemitério na hora que ele tenha condições para ser sepultado com dignidade. Nós temos que sepultar as pessoas e não descartar corpos”, afirma o presidente.

Fonte: G1